domingo, 28 de outubro de 2012

Tchau.

Não há mais tanta cor aqui.
Desconfio que tenha havido algum dia.
Minto. Houve. Entre uma postagem e outra.
Sim, o tempo em que não escrevia.
As vezes, só as vezes, havia cor.
É difícil escrever quando estar se sentindo alegre.
É preciso tristeza para fazê-lo.
Mas não muita
Tristeza demais embebeda as palavras.

Eu estou indo embora
Esse endereço não é mais meu
Eu, há muito, não mor mais aqui.
O novo é sempre um tanto quanto assustador.
Mudar de endereço também não deixa de ser...
mesmo que ele seja http.


Tchau.


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

...

"... Você Marina, é como uma dessas catástrofes naturais, qualquer uma, devastadora. Toma de assalto tudo, por cima de tudo passa, sem piedade. E ao passar, ainda tem a audácia de me deixar como lembrança teu sorriso, aquele mais doce. Tão doce que causa gastura. É como vicio: sacia-me e depois enche-me de culpa. E quando essa lembrança se torna insuportável, atropelam-me tantas outras. O cheiro da tua pele que mora em mim, que me basta apenas fechar os olhos para sentir. Sentir teu olhar em mim, como faca que atravessa meu cérebro, paralisa. Marina, você é. Não tenta. É. Me assusta. Já eu, eu sou quase. Você me atravessa tantas afirmações que não consigo me prender a nenhuma delas, embora me ache em quase todas. Você me desvenda com uma ousadia que nunca cheguei a imaginar desvendar-me. Quando te dei permissão para tal? Com que direito você me invade? Como você faz isso? Por vezes acho que és uma espécie de bruxa. Fada não. Dizem que fadas são boas. Bruxas me parecem mais observadoras, assim como você, que olha pouco e enxerga muito. Bruxa! Só pode ser. Pode ser não. Você é, porque você não é quase. Você é! É tão humana que me causa inveja. Aprendi a camuflar-me, não sei quando. E você me despiu de todos os meus difarces. E quando me viu, ainda quis ficar. Como, Marina? Como você me conhece e ainda me quer? E todas essas máscaras, que fim dou a elas? De certa forma aprendi a ter afeição por elas. Me protegiam. De que? Não sei, ué. De algo, de alguém. De pessoas parecidas com você, talvez. Sim, parecidas. Porque elas desistiram. E você, bruxa, ainda está aqui. Marina, estou cansado do quase. Me diz como ser."

domingo, 23 de setembro de 2012

cá com meus botões

Quando eu era criança brincava de pensar em como seria se eu fosse um objeto qualquer. Fosse onde eu estivesse, pensava. E se eu fosse um carro? Um carro deve ser chato, as pneus girando o tempo todo, passando por todo tipo de lugar. Não, um carro não é legal. E se eu fosse um relógio? Um relógio com certeza é chato, os ponteiros sempre fazendo o mesmo movimento, todo dia marcando as mesmas horas, tudo sempre igual. Não, um relógio não é legal. E se eu fosse uma caneta? Uma caneta até que não é tão chata, ela é usada para escrever, o problema é que a tinta acaba e quando isso acontece não tem mais qualquer serventia. Não, uma caneta não é legal. Depois pensava, ser objeto não é legal. E se eu fosse um outro ser vivo? Um bicho qualquer. E se eu fosse um cachorro? Um cachorro é legal. Ele passa o dia esperando os donos chegarem em casa, quando chegam é o momento mais feliz, depois pronto, não recebe mais atenção e volta a ser solitário. Não, um cachorro não é legal. E se eu fosse um gato? Gatos são independentes. Gato é legal. Não precisa de muito cuidado, andam por onde querem, escalam muros. Mas gatos são normalmente os animais que mais são atropelados pelos carros que tem seus pneus que giram o tempo todo, por todo tipo de lugar. Não, um gato não é legal. Depois pensava, não, ser um bicho qualquer não é legal. E se eu fosse outra pessoa? E se eu fosse um homem? Homens tem muita liberdade, fazem o que querem desde muito cedo, são ensinados a isso. Mas homem tem barba, deve ser chato fazê-la o tempo todo. Homem, por mais vaidoso que seja, não tem a possibilidade de enfeitar-se tanto quanto uma mulher. Pior, não pode engravidar. A maternidade sempre foi algo ao mesmo tempo maravilhosamente encantador e extremamente aterrorizante para mim. Caetano acha que não, não tem inveja de absolutamente nada nas mulheres, apenas da longevidade e dos orgasmos múltiplos. Bom, Caetano é Caetano né, nem me atrevo a questionar. Porém, acho a sagacidade e a intuição são características femininas invejáveis, Caetano. E a maternidade... quando for a hora eu direi.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Minh'alma e eu.

Pois devo ser o que chamam por ai de chata. Sou. Devo ser. Sei que sou. Chata. Irritante. E tudo o mais. De ruim. É fácil, aos olhos alheios. Daí deve da pra ver melhor. É o que dizem! Quem está de fora consegue ver melhor. Eu até me esforço para me ver a distância. Sério. As vezes até torço pra minh'alma sair do corpo. Na boa, acho que se ela saísse pra passear um pouco me aliviaria. Bom, a verdade é que que minh'alma não gosta muito de sair para passear. Presa, ela prefere ser inquietante, aqui em mim. As vezes acho que sou uma espécie de crustáceo, pois minh'alma é tão grande que não cabe mais no corpo que habita. Tenho que trocar a carcaça. Onde consigo uma em tamanho maior?Sou uma espécie de crustáceo. Sei que sou. Devo ser. Assim, por pura questão de lógica que digo isso. A lógica dos crustáceos que crescem e que, pra sobreviver, tem que mudar de corpo. É isso! Não sobreviverei muito tempo habitando esse corpo. Ou eu tenho experiências extra corpóreas, ou liberto minh'alma desse corpo e ela vai, por ai, procurar habitar algo que lhe sirva. Só sei que aqui não cabe. Já não cabe mais. Tá apertado. Incomodando.

sábado, 18 de agosto de 2012

sabia!

Sempre soube que há coisas que precisam ser ditas. Sempre deixou de falar. Por medo, talvez. Provavelmente por não saber como dizer. Sempre fora um apaixonado pelas palavras. Dessas simples, que se usa no cotidiano, que qualquer alfabetizado seria capaz de entender. Palavras de pronuncia difícil e escrita complicada nunca tiveram sua admiração. Tinha respeito por elas, porque toda e qualquer palavra merece respeito. Mas admirar mesmo admirava as simples. Pensava nisso enquanto bebia uma xícara de café. Recém feito. Às duas da manhã. Dali há pouco o sol nasceria, sabia disso. Parou de fumar faz tempo; seis meses? Talvez dois ou três, no máximo. Sempre soube que há coisas que parecem ter mais tempo do que realmente tem. Se não fosse ainda o café - pensou. Pensamento é coisa que não tem respeito, sempre soube. Sem pedir vem. De tão inconvenientes que são já vão entrando. São duas da manhã, seus espaçosos! E ainda reclamam que o café além de pouco é forte demais, amargo demais. Café só prestava assim, sempre soube. Ainda mais quando se deixa de fumar... De invasão em invasão os pensamentos iam se instalando e para não ser tomado por todo aquele turbilhão esforçou-se para pensar nas palavras, nas simples. Simplicidade é uma palavra bonita. Pensou que o infinito poderia significar a união do papel e da caneta. Há coisas que precisam ser ditas! A folha em branco, a caneta sem tampa, a xícara de café já quase no fim e o cinzeiro limpo há dois ou três meses, no máximo, todos sabiam. Que medo sem fim era esse de dizer o que precisava ser dito? Sabia o que dizer, sempre soube. Iludia-se achando que haveria forma melhor. Sempre soube que há coisas que precisam ser ditas, da maneira mais simples. Olhou para o cinzeiro. Um cigarro resolveria. Olhou para a xícara de café, já cheia, pela segunda vez. Olhou para a folha de papel, branca. A caneta, preta. De olhos fechados olhou para si. Homem, coragem! Ecoava pelo corpo... - agem, agem, agem.

"Marina,

você é para mim como um daqueles poemas que lemos, não entendemos, mas nos emocionamos, pois sabemos que ali está escrito algo que de tão íntimo pouco se conhece. Você, que muitas vezes parece reflexo, é irreconhecível. É insuportável. Não você. Insuportável olhar para ti e ver-me. Ver-me como eu gostaria de ser... não sou.


[...]

Continua.


O sol nasceu. É hora de dormir.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

e cada qual no seu canto, em cada canto uma dor...


Pior do que não saber escrever é não saber o que escrever. Quando as palavras estão nas pontas dos dedos, esperando apenas que você tenha a coragem de unir papel e caneta... Papel aceita tudo! Talvez por isso não seja justo desperdiçá-lo dessa maneira. Não é porque ele aceita tudo que se deve usar de qualquer forma. Seria irresponsabilidade. Acho que minhas palavras, sabendo disso, preferem manter-se as escondidas. O problema é que da ponta dos dedos elas vão circulando pelo corpo. Geram movimento até. Mas param. Na garganta. Entalam. E você, que não abusou do papel, sente que somente gritando desentalaria. Mas não dá. Os ouvidos não aceitam quase nada. Pior, não entendem. Pior, entendem errado. E certamente te julgarão. Da garganta elas não saem. Ficam lá, acumulando-se. Tossir não vai resolver, não adianta. Acumulam. Acumulam. Até que descobrem que podem transformar-se em conteúdo líquido. E aquilo que muitos chamam de lágrimas, eu chamo... ?!

sexta-feira, 6 de julho de 2012

go slowly

Aprendi a nadar desde muito cedo. Não lembro com exatidão. Foi cedo, ainda criança. Por algum motivo nunca gostava de participar das competições de natação. Nunca! Não via o menor sentido competir por algo que eu tinha prazer em fazer. Eu adorava natação! Não sei por qual motivo não continuei a nadar...
Não gostava e continuo não gostando de competições. Mas hoje não é simplesmente o fato de não enxergar muito sentido em competir, mas porque sou boa competidora. E quando se é boa competidora a possibilidade de perder é aterrorizante. Quando se perde de fato é totalmente insuportável. Não é só não ter sentido. É não saber lidar com o sentido que isso tem. Desde cedo aprendi a nadar... mas sempre acabei morrendo na praia.







RADIOHEAD

terça-feira, 26 de junho de 2012


De repente você se dá conta de que aquilo que você aprendeu que dizia que o contrário do amor é a indiferença e não o ódio é absolutamente verdadeiro. Ódio é uma espécie de amor. Raiva a gente sente das pessoas que gosta, ou não. Ódio a gente só sente daquilo que ama. Claro que digo isso por experiência própria, sou daquelas que só acredita vendo, no caso, sentindo (se a fonte for segura também costumo acreditar!). O fato é que, quando se percebe uma coisa dessa sem que haja algum tipo de preparo a coisa fica meio difícil de suportar. Mas, também sozinha, aprendi que mesmo o ódio não sendo o contrário do amor, mas sim uma via do mesmo, essa via leva a indiferença. Ou seja, amor e ódio são faces da mesma moeda, mas se você a jogar para cima e ao cair a face exposta for ódio, CUIDADO! Nem sempre há um novo lançamento de moeda, nem sempre a há uma segunda chance.
A regra é clara!


domingo, 10 de junho de 2012

...

Sensação de quase morte - alívio e medo.
Qual dos dois prevalece?
Talvez o medo, já que ainda escrevo.
Que medrosa que sou!

segunda-feira, 21 de maio de 2012

* Se fiquei esperando meu amor passar
Já me basta que então eu não sabia amar.

E me via perdido e vivendo em erro
Sem querer me machucar de novo
Por culpa do amor.


sábado, 28 de abril de 2012

Não tem cura.

Deito para dormir como que numa tentativa desesperada de fazer parar aquilo que angustia. Acordo e descobro que o sentimento angustiante que nasceu durante à noite se transformou em algo pior. A angústia aumentou e agora há ainda a sensação de um buraco no peito. Vou tentando jogar toda a dor dentro dele pra que ela desapareça, vá não sei pra onde, só quero que saia de mim. Percebo que é como injetar veneno na corrente sanguínea, todo esse sentimento do qual quero me livrar se espalha pelo corpo todo, tirando minhas forças. Estou envenenada. O veneno paralisou. Dessa cama não me levanto, não porque não queira, estou paralisada e não consigo. Estou inválida. É essa minha condição: não tenho a menor valia.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

reviver.

Meus sentidos me traem. Sempre. O tempo todo. A todo momento. Não! Minto. A todo momento não. Não o tempo todo. Nem sempre. Só quando tem você para confundí-los. Eles se atrapalham. Se confundem. Não sei mais se a memória que tenho é do sorriso, do cheiro do hálito ou do toque dos lábios. Parece impossível admitir que eu posso ter três num só, como deus ao mesmo tempo sendo três. Parece errado. Mais fácil culpar meus sentidos. Dizer que eles me traíram criando lembranças de algo que não foi. Difícil admitir que foi o que sempre é. É quase impossível o esforço que faço para não lembrar. É errado ignorar que meus sentidos são atenuados ao máximo quanto tem você. Eles não se atrapalham, são fidedignos, como nunca ousam ser em outros momentos. Eles não se confudem, se completam. As lembranças que tenho são as mais nítidas quando envolve meus sentidos envoltos em você. Eu posso reviver tudo de novo! Não minto.

sábado, 7 de abril de 2012

Fui embora.

sábado, 24 de março de 2012

Falta

Não é exatamente desistir. É que parece que a gente se acostuma com tudo, inclusive com a falta que faz. Aliás, com a falta é que aprendemos a nos acostumar mesmo. Somos faltosos desde cedo. Pior, seremos sempre. Mas não é exatamente desistir. É que acho que cansei de tentar. Tentar ter. É que tive e não me acostumei com a falta. Saudade. Aliás, com a saudade é que aprendemos uma das várias formas de sentir a falta. Só que que... eu não estou exatamente desistindo. É que que sobra tanta falta.

domingo, 11 de março de 2012

dois de março.

Já dizia a letra: "Não é o o que se pode chamar de uma história original, mas não importa, é a vida real". As histórias nunca são originais, eventualmente encontramos alguém que tem a nos contar uma história muito parecida com a nossa. Usando o bom e velho clichê "se fosse eu..." e nunca, de fato, saberão do que você está falando, porque não sabem, simplesmente. A dor nunca é igual para ninguém, disso eu tenho certeza, pois chegam a mim os discursos mais variados possíveis. Dói apenas, não se sabe como, nem onde, sabe-se apenas que é uma dor que dói.
Das minhas dores eu sei, e sei também que jamais conseguirei explicar a alguém como ela é. Só sei do que sinto! Aliás, o que sinto tem, ultimamente, tentado me avisar de alguns riscos... Não aprendo a respeitar o que sinto, meu sexto sentido, que sempre se antecipa, é capaz de um dia sumir por eu não dar ouvidos a ele. Estou negando um dom, deus? Dom?! Prefiro chamar isso de 'identificar situações'. Como as aprendi não faço a menor idéia. Talvez voltemos ao início, aos discursos. Conhecer discursos, mais que isso, escutá-los! É isso o que as pessoas querem: serem ouvidas... assim como eu queria. Queria, quem sabe, escutar meus próprios discursos... ou não.
Por exemplo, agora meu sexto sentido, dom, aprendizado diz que eu deveria ir embora. Ainda não me disse se devo ir de vez, sem volta. Deve ser por isso que ainda não o obedeci, pelo medo que tenho de não voltar... como eu queria voltar! Como eu queria nunca ter ido... Nunca ter ido naquele dia em que tudo conspirou a favor e agora, prestando atenção, me pergunto se não estava tudo conspirando contra. Contra o que? Contra quem? Não estou numa guerra, ou pelo menos não quero estar. Por onde entrei? Deve haver uma saída por aqui, em algum lugar. Eu só tenho que achar, tateando, no escuro. Procurar a maçaneta e, enquanto giro, torcer para que haja alguma claridade e um pouco de ar fresco do outro lado. Aqui está bem abafado, mal consigo respirar! Se eu me desespero perco o ar com mais facilidade. Manter a calma, é essa a solução primeira, posteriores soluções aparecerão depois (soluções são soluços bem grandes?).
Calma! Como ela vai embora tão depressa quando mais preciso? Lembro que quando criança e me sentia ansiosa em alguma situação, queria fugir dela, sentia vontade de sumir. Hoje ainda tenho essa enorme vontade de sumir quando sinto medo, mas agora também sinto uma enorme vontade de cavucar nele, assim como cães fazem no lixo, com o faro conseguem, mesmo no mal cheiro, achar algo que lhes sirva. Sinto que enfrentar meu medo é uma forma (muito arriscada) de me encontrar. Quero ter de volta a sensibilidade de fazer graça com as coisas ruins. Ver graça, ver beleza, ver. Enxergar!! Estagnei no tempo, deixem que me colocassem vendas e me habituei a não enxergar... ou a enxergar limitado. Não acho que eu precise ver tudo, só queria enxergar novas possibilidades e, quem sabe, elas combinassem com a mulher que tento ser hoje. Preciso tirar a venda. Ver. Enxergar!

!

De nada adianta esperar, silenciar, abafar sentimentos, calar angústia. No fim das contas você acaba com o que a mesma coisa de sempre: nada. E por que precisa adiantar alguma coisa? Perguntaram-me. Não sei dizer, só sei que nem sempre o caminho mais difícil é o mais recompensador. As vezes faz-se escolhas difíceis acreditando que no final a recompensa virá. As vezes, fecha-se os olhos para o óbvio, talvez pelo óbvio ser óbvio, simplesmente! As pessoas, muitas vezes, não gostam de enxergar o óbvio, preferem a dificuldade, a luta pra vencer a dificuldade e não percebe que no fim das contas de nada adianta, você continuou com o que sempre teve: nada. E o óbvio? Pergunto-me. Ele talvez não esteja mais lá, mas certamente se apresentará mais óbvio ainda.

domingo, 4 de março de 2012

Sobras.

No caos encontro-me novamente. Parece rotina. Hábito não habitável. Dos medos que tenho, pouca coragem sobrou. Sobras, sombras, escombros. Escondo-me, camuflo-me, encontro-me em posição fetal. Silencio. Sinto. Choro. Chôro: O que sai nele? O que sai da gente quando choramos? O que não sai de mim? O que não silencio? O que não falo? Falar o que? Eu estou no caos, novamente. Dos escombros, pouca habitação sobrou. Estou na rua. Sobras.