Não é exatamente desistir. É que parece que a gente se acostuma com tudo, inclusive com a falta que faz. Aliás, com a falta é que aprendemos a nos acostumar mesmo. Somos faltosos desde cedo. Pior, seremos sempre. Mas não é exatamente desistir. É que acho que cansei de tentar. Tentar ter. É que tive e não me acostumei com a falta. Saudade. Aliás, com a saudade é que aprendemos uma das várias formas de sentir a falta. Só que que... eu não estou exatamente desistindo. É que que sobra tanta falta.
sábado, 24 de março de 2012
domingo, 11 de março de 2012
dois de março.
Já dizia a letra: "Não é o o que se pode chamar de uma história original, mas não importa, é a vida real". As histórias nunca são originais, eventualmente encontramos alguém que tem a nos contar uma história muito parecida com a nossa. Usando o bom e velho clichê "se fosse eu..." e nunca, de fato, saberão do que você está falando, porque não sabem, simplesmente. A dor nunca é igual para ninguém, disso eu tenho certeza, pois chegam a mim os discursos mais variados possíveis. Dói apenas, não se sabe como, nem onde, sabe-se apenas que é uma dor que dói.
Das minhas dores eu sei, e sei também que jamais conseguirei explicar a alguém como ela é. Só sei do que sinto! Aliás, o que sinto tem, ultimamente, tentado me avisar de alguns riscos... Não aprendo a respeitar o que sinto, meu sexto sentido, que sempre se antecipa, é capaz de um dia sumir por eu não dar ouvidos a ele. Estou negando um dom, deus? Dom?! Prefiro chamar isso de 'identificar situações'. Como as aprendi não faço a menor idéia. Talvez voltemos ao início, aos discursos. Conhecer discursos, mais que isso, escutá-los! É isso o que as pessoas querem: serem ouvidas... assim como eu queria. Queria, quem sabe, escutar meus próprios discursos... ou não.
Por exemplo, agora meu sexto sentido, dom, aprendizado diz que eu deveria ir embora. Ainda não me disse se devo ir de vez, sem volta. Deve ser por isso que ainda não o obedeci, pelo medo que tenho de não voltar... como eu queria voltar! Como eu queria nunca ter ido... Nunca ter ido naquele dia em que tudo conspirou a favor e agora, prestando atenção, me pergunto se não estava tudo conspirando contra. Contra o que? Contra quem? Não estou numa guerra, ou pelo menos não quero estar. Por onde entrei? Deve haver uma saída por aqui, em algum lugar. Eu só tenho que achar, tateando, no escuro. Procurar a maçaneta e, enquanto giro, torcer para que haja alguma claridade e um pouco de ar fresco do outro lado. Aqui está bem abafado, mal consigo respirar! Se eu me desespero perco o ar com mais facilidade. Manter a calma, é essa a solução primeira, posteriores soluções aparecerão depois (soluções são soluços bem grandes?).
Calma! Como ela vai embora tão depressa quando mais preciso? Lembro que quando criança e me sentia ansiosa em alguma situação, queria fugir dela, sentia vontade de sumir. Hoje ainda tenho essa enorme vontade de sumir quando sinto medo, mas agora também sinto uma enorme vontade de cavucar nele, assim como cães fazem no lixo, com o faro conseguem, mesmo no mal cheiro, achar algo que lhes sirva. Sinto que enfrentar meu medo é uma forma (muito arriscada) de me encontrar. Quero ter de volta a sensibilidade de fazer graça com as coisas ruins. Ver graça, ver beleza, ver. Enxergar!! Estagnei no tempo, deixem que me colocassem vendas e me habituei a não enxergar... ou a enxergar limitado. Não acho que eu precise ver tudo, só queria enxergar novas possibilidades e, quem sabe, elas combinassem com a mulher que tento ser hoje. Preciso tirar a venda. Ver. Enxergar!
!
De nada adianta esperar, silenciar, abafar sentimentos, calar angústia. No fim das contas você acaba com o que a mesma coisa de sempre: nada. E por que precisa adiantar alguma coisa? Perguntaram-me. Não sei dizer, só sei que nem sempre o caminho mais difícil é o mais recompensador. As vezes faz-se escolhas difíceis acreditando que no final a recompensa virá. As vezes, fecha-se os olhos para o óbvio, talvez pelo óbvio ser óbvio, simplesmente! As pessoas, muitas vezes, não gostam de enxergar o óbvio, preferem a dificuldade, a luta pra vencer a dificuldade e não percebe que no fim das contas de nada adianta, você continuou com o que sempre teve: nada. E o óbvio? Pergunto-me. Ele talvez não esteja mais lá, mas certamente se apresentará mais óbvio ainda.
domingo, 4 de março de 2012
Sobras.
No caos encontro-me novamente. Parece rotina. Hábito não habitável. Dos medos que tenho, pouca coragem sobrou. Sobras, sombras, escombros. Escondo-me, camuflo-me, encontro-me em posição fetal. Silencio. Sinto. Choro. Chôro: O que sai nele? O que sai da gente quando choramos? O que não sai de mim? O que não silencio? O que não falo? Falar o que? Eu estou no caos, novamente. Dos escombros, pouca habitação sobrou. Estou na rua. Sobras.
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