sábado, 3 de agosto de 2013

"Eu não consigo lembrar nada até aquele dia, exceto o olhar, o olhar! Você sabe onde, agora eu não posso ver, eu apenas encaro... Eu ainda estou vivo"*

Das muitas habilidades que perdi durante praticamente um ano, escrever é a que mais lamento. Na verdade nunca achei que escrever fosse algo que eu fizesse bem, mas para mim tinha serventia. Alguma... Tinha! Um espécie de exorcismo de tudo o que me causava algum dano. O problema é que quando você expulsa demônios parar de fazê-lo é extremamente prejudicial. Na ânsia de eliminar os que ficaram amontoados qualquer forma de expulsá-los é bem vinda, porém nem sempre quase nunca é uma forma convencional e isso também é prejudicial... para os outros. Paranóia! É o que eu escuto. Dentro de mim essa palavra não faz qualquer sentindo. Eu não sei o que é ser paranoico, não consigo me apropriar e sentir que de alguma forma isso me define. Diga-me que estou desesperada e com isso terei o prazer de concordar. Me sinto sufocada embaixo de um monte de entulhos, lembranças que não consigo enxergar, mas que pesam. Não parecem minhas até que me provarem que sim, elas são minhas! Eu estava lá quando tudo aconteceu. Não há como mudar isso. Mas preciso de ar e todo esse peso por vezes me imobiliza. É então que qualquer fresta em que eu possa colocar o nariz e puxar ar se parece com um campo aberto. Puxo o ar como quem tenta desesperadamente sobreviver. Eu estou pedindo ajuda. Só que estou imóvel. Tento sentir se cada parte do meu corpo ainda está funcionando e, como um espasmo, consigo me mover. Um ou dois incômodos saem, mas me dizem que não era para eu ter feito assim. Ninguém sabe! De onde eu estou ninguém tem como saber a melhor forma. Eu busco ficar bem, minimamente bem. E, se me arrependo por incomodar alguém, em mim o alívio me diz que eu fiz o que era melhor para mim naquele momento.
Me perdoem os incomodados por eu ter conseguido ser egoísta!



*Pearl Jam - Alive

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Aí, um analista amigo meu disse: E daí?


Eu sempre fui dessas pessoas que analisa demais. Outro dia numa conversa-vai-conversa-vem alguém me disse, depois de perguntado o que eu faria da vida e eu respondido que serei psi-ca-na-lis-ta (sim, eu respondi com essa pausa enfática), que psicólogas analisam demais, as pessoas principalmente. Eu imediatamente discordei. Claro que não analiso ninguém. Quer dizer, não o tempo todo. E no final das contas tive que admitir, para mim mesma o que talvez seja pior, que sim, eu analiso as pessoas e os contextos. E não é quase sempre. É sempre. Os meus contextos, as pessoas com quem convivo, as histórias que me contam. Eu analiso tudo. Talvez por isso que meu grau de frustração seja altíssimo. As vezes, e agora cabe dizer "quase sempre", eu fracasso. Claro, há acertos, caso não os houvesse esse mania não duraria tanto tempo. Mas a verdade é que não da pra prever tudo o tempo todo. Por uma questão óbvia: estamos falando de pessoas! Isso é falar de uma imprevisibilidade bastante elevada. Não há como adivinhar o comportamento das pessoas. Sim, eu sei, há comportamentos repetitivos em situações parecidas, nisso consta-se os acertos. Mas a verdade é que o dia de amanhã nunca se sabe absolutamente nada. Não é, nem de longe, fácil admitir isso. Eu tenho mania! Mania é tipo vício: você sabe que aquilo pode não te trazer benefícios, mas você corre o risco mesmo assim. Mania, gente! Fato. Certa vez eu analisei tanto uma situação que era capaz de prever o lugar, onde as pessoas envolvidas estariam posicionadas e até o que seria dito. Ao final de tanta análise um analista amigo meu - irônico, não? - disse: E daí? O meu comportamento após essa pergunta é totalmente passível de acerto, não? Óbvio que fiz a única coisa que podia. Dei um riso sem graça e falei "pois é, e daí?". E agora eu continuo analisando tudo e todos, só que ao final acrescento: e daí? Eu realmente não sei para que serve tanto esforço. Sim, porque não é fácil. Alto-proteção talvez... Bom, tenho que analisar isso (E daí?). Aaaai, coisa chata isso, gente!