Das muitas habilidades que perdi durante praticamente um ano, escrever é a que mais lamento. Na verdade nunca achei que escrever fosse algo que eu fizesse bem, mas para mim tinha serventia. Alguma... Tinha! Um espécie de exorcismo de tudo o que me causava algum dano. O problema é que quando você expulsa demônios parar de fazê-lo é extremamente prejudicial. Na ânsia de eliminar os que ficaram amontoados qualquer forma de expulsá-los é bem vinda, porém nem sempre quase nunca é uma forma convencional e isso também é prejudicial... para os outros. Paranóia! É o que eu escuto. Dentro de mim essa palavra não faz qualquer sentindo. Eu não sei o que é ser paranoico, não consigo me apropriar e sentir que de alguma forma isso me define. Diga-me que estou desesperada e com isso terei o prazer de concordar. Me sinto sufocada embaixo de um monte de entulhos, lembranças que não consigo enxergar, mas que pesam. Não parecem minhas até que me provarem que sim, elas são minhas! Eu estava lá quando tudo aconteceu. Não há como mudar isso. Mas preciso de ar e todo esse peso por vezes me imobiliza. É então que qualquer fresta em que eu possa colocar o nariz e puxar ar se parece com um campo aberto. Puxo o ar como quem tenta desesperadamente sobreviver. Eu estou pedindo ajuda. Só que estou imóvel. Tento sentir se cada parte do meu corpo ainda está funcionando e, como um espasmo, consigo me mover. Um ou dois incômodos saem, mas me dizem que não era para eu ter feito assim. Ninguém sabe! De onde eu estou ninguém tem como saber a melhor forma. Eu busco ficar bem, minimamente bem. E, se me arrependo por incomodar alguém, em mim o alívio me diz que eu fiz o que era melhor para mim naquele momento.
Me perdoem os incomodados por eu ter conseguido ser egoísta!
*Pearl Jam - Alive
Me perdoem os incomodados por eu ter conseguido ser egoísta!
*Pearl Jam - Alive