Eu sempre fui dessas pessoas que analisa demais. Outro dia numa conversa-vai-conversa-vem alguém me disse, depois de perguntado o que eu faria da vida e eu respondido que serei psi-ca-na-lis-ta (sim, eu respondi com essa pausa enfática), que psicólogas analisam demais, as pessoas principalmente. Eu imediatamente discordei. Claro que não analiso ninguém. Quer dizer, não o tempo todo. E no final das contas tive que admitir, para mim mesma o que talvez seja pior, que sim, eu analiso as pessoas e os contextos. E não é quase sempre. É sempre. Os meus contextos, as pessoas com quem convivo, as histórias que me contam. Eu analiso tudo. Talvez por isso que meu grau de frustração seja altíssimo. As vezes, e agora cabe dizer "quase sempre", eu fracasso. Claro, há acertos, caso não os houvesse esse mania não duraria tanto tempo. Mas a verdade é que não da pra prever tudo o tempo todo. Por uma questão óbvia: estamos falando de pessoas! Isso é falar de uma imprevisibilidade bastante elevada. Não há como adivinhar o comportamento das pessoas. Sim, eu sei, há comportamentos repetitivos em situações parecidas, nisso consta-se os acertos. Mas a verdade é que o dia de amanhã nunca se sabe absolutamente nada. Não é, nem de longe, fácil admitir isso. Eu tenho mania! Mania é tipo vício: você sabe que aquilo pode não te trazer benefícios, mas você corre o risco mesmo assim. Mania, gente! Fato. Certa vez eu analisei tanto uma situação que era capaz de prever o lugar, onde as pessoas envolvidas estariam posicionadas e até o que seria dito. Ao final de tanta análise um analista amigo meu - irônico, não? - disse: E daí? O meu comportamento após essa pergunta é totalmente passível de acerto, não? Óbvio que fiz a única coisa que podia. Dei um riso sem graça e falei "pois é, e daí?". E agora eu continuo analisando tudo e todos, só que ao final acrescento: e daí? Eu realmente não sei para que serve tanto esforço. Sim, porque não é fácil. Alto-proteção talvez... Bom, tenho que analisar isso (E daí?). Aaaai, coisa chata isso, gente!