domingo, 23 de setembro de 2012

cá com meus botões

Quando eu era criança brincava de pensar em como seria se eu fosse um objeto qualquer. Fosse onde eu estivesse, pensava. E se eu fosse um carro? Um carro deve ser chato, as pneus girando o tempo todo, passando por todo tipo de lugar. Não, um carro não é legal. E se eu fosse um relógio? Um relógio com certeza é chato, os ponteiros sempre fazendo o mesmo movimento, todo dia marcando as mesmas horas, tudo sempre igual. Não, um relógio não é legal. E se eu fosse uma caneta? Uma caneta até que não é tão chata, ela é usada para escrever, o problema é que a tinta acaba e quando isso acontece não tem mais qualquer serventia. Não, uma caneta não é legal. Depois pensava, ser objeto não é legal. E se eu fosse um outro ser vivo? Um bicho qualquer. E se eu fosse um cachorro? Um cachorro é legal. Ele passa o dia esperando os donos chegarem em casa, quando chegam é o momento mais feliz, depois pronto, não recebe mais atenção e volta a ser solitário. Não, um cachorro não é legal. E se eu fosse um gato? Gatos são independentes. Gato é legal. Não precisa de muito cuidado, andam por onde querem, escalam muros. Mas gatos são normalmente os animais que mais são atropelados pelos carros que tem seus pneus que giram o tempo todo, por todo tipo de lugar. Não, um gato não é legal. Depois pensava, não, ser um bicho qualquer não é legal. E se eu fosse outra pessoa? E se eu fosse um homem? Homens tem muita liberdade, fazem o que querem desde muito cedo, são ensinados a isso. Mas homem tem barba, deve ser chato fazê-la o tempo todo. Homem, por mais vaidoso que seja, não tem a possibilidade de enfeitar-se tanto quanto uma mulher. Pior, não pode engravidar. A maternidade sempre foi algo ao mesmo tempo maravilhosamente encantador e extremamente aterrorizante para mim. Caetano acha que não, não tem inveja de absolutamente nada nas mulheres, apenas da longevidade e dos orgasmos múltiplos. Bom, Caetano é Caetano né, nem me atrevo a questionar. Porém, acho a sagacidade e a intuição são características femininas invejáveis, Caetano. E a maternidade... quando for a hora eu direi.