segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Era calmo. Tranqüilo. Passivo. Invejável. Desejável. Talvez fosse feliz, talvez não. Feliz ou triste ela queria aquilo. Como se quer o último cigarro: com uma culpa deliciosa. Não sabia porque, mas queria. Talvez fosse a paz. Talvez fosse o mistério. Não sabia porque, mas queria. Queria como se deseja o último gole de uma bebida ardente. Quente e nociva. Queria a contaminação. Queria com embriaguez, com loucura. Gostava daquilo que era quando a calma dele comandava. Da sensação desconhecida de ser quem nunca foi, de quem não lembrava ser. Gostava do calor que dava no corpo e das mãos frias. Gostava das borboletas no estômago do medo alegre de esperar. Esperar. Com expectativa. Com um medo infidável de não ter, de ter. O que fazer se tivesse? E se não tivesse, o que faria?
Deseja aquela calma, aquela tranquilidade, aquela paz. Como nunca ousou. Nunca ousou nada. Nunca ousou desejar nada, até aquele momento. Só desejava. E desejava só.