segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Estou triste.
Preciso comprar. Mulheres!
Entro na livraria e penso:
Não saio daqui sem um presente. 
Amanhã é meu aniversário. E estou triste. Mereço. 
Vou na seção de Psicologia. Não. 
Na seção de Filosofia. Não. 
Literatura Brasileira!
Se você nunca experimentou achar um livro na livraria por conta própria, faça. Que sensação!
Acho Clarice. Ou ela me acha.
Pego um livro que, claro, ainda não tenho.
Abraço. Encontro.
E quando, imediatamente, começo a ler, esbarro:
"Já tentei olhar bem de perto o rosto de uma pessoa - uma bilheteira de cinema. Para saber do segredo de sua vida. Inútil. A outra pessoa é um enigma. E seus olhos são de estátua: cegos."
Que presente!

domingo, 6 de agosto de 2017

Eu escrevia.
Há muito tempo atrás eu escrevia.
Não tinha pretensão alguma, eu só escrevia.
Só.
Hoje acordei com vontade de voltar a ser essa pessoa só que escrevia.
Tive um sonho. Sonhei que corria pela cidade... tão minha, quase nua.
Me sentia bem. Não me importava.
Acordei com vontade de correr, de não me importar.
Sento no computador e leio algo que escrevi há quatro anos atrás, neste mesmo mês.
Constato: Sou só.
Acordada tive um sonho. Sonho de voltar a escrever... tão nua, quase minha.
Sem pretensão alguma.
Eu escrevia.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Eu decidi...

... porcaria nenhuma. Faz algum tempo que decidi não mais decidir.
Tenho, dentro de mim, uma vontade de voltar a escrever. Sinto que preciso ou vou enlouquecer.
Eu nasci triste. Eu não lembro, mas também não lembro de ser feliz, acho que esqueci. E nada como uma boa tristeza pra escrever coisa ruim...
Faz algum tempo que tenho vontade de enlouquecer. Nada como coisa ruim como uma boa tristeza pra lembrar que esqueci de ser feliz.
Porcaria! Faz algum tempo que tenho vontade de lembrar ser feliz, mas acho que esqueci como ser boa.

sábado, 3 de agosto de 2013

"Eu não consigo lembrar nada até aquele dia, exceto o olhar, o olhar! Você sabe onde, agora eu não posso ver, eu apenas encaro... Eu ainda estou vivo"*

Das muitas habilidades que perdi durante praticamente um ano, escrever é a que mais lamento. Na verdade nunca achei que escrever fosse algo que eu fizesse bem, mas para mim tinha serventia. Alguma... Tinha! Um espécie de exorcismo de tudo o que me causava algum dano. O problema é que quando você expulsa demônios parar de fazê-lo é extremamente prejudicial. Na ânsia de eliminar os que ficaram amontoados qualquer forma de expulsá-los é bem vinda, porém nem sempre quase nunca é uma forma convencional e isso também é prejudicial... para os outros. Paranóia! É o que eu escuto. Dentro de mim essa palavra não faz qualquer sentindo. Eu não sei o que é ser paranoico, não consigo me apropriar e sentir que de alguma forma isso me define. Diga-me que estou desesperada e com isso terei o prazer de concordar. Me sinto sufocada embaixo de um monte de entulhos, lembranças que não consigo enxergar, mas que pesam. Não parecem minhas até que me provarem que sim, elas são minhas! Eu estava lá quando tudo aconteceu. Não há como mudar isso. Mas preciso de ar e todo esse peso por vezes me imobiliza. É então que qualquer fresta em que eu possa colocar o nariz e puxar ar se parece com um campo aberto. Puxo o ar como quem tenta desesperadamente sobreviver. Eu estou pedindo ajuda. Só que estou imóvel. Tento sentir se cada parte do meu corpo ainda está funcionando e, como um espasmo, consigo me mover. Um ou dois incômodos saem, mas me dizem que não era para eu ter feito assim. Ninguém sabe! De onde eu estou ninguém tem como saber a melhor forma. Eu busco ficar bem, minimamente bem. E, se me arrependo por incomodar alguém, em mim o alívio me diz que eu fiz o que era melhor para mim naquele momento.
Me perdoem os incomodados por eu ter conseguido ser egoísta!



*Pearl Jam - Alive

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Aí, um analista amigo meu disse: E daí?


Eu sempre fui dessas pessoas que analisa demais. Outro dia numa conversa-vai-conversa-vem alguém me disse, depois de perguntado o que eu faria da vida e eu respondido que serei psi-ca-na-lis-ta (sim, eu respondi com essa pausa enfática), que psicólogas analisam demais, as pessoas principalmente. Eu imediatamente discordei. Claro que não analiso ninguém. Quer dizer, não o tempo todo. E no final das contas tive que admitir, para mim mesma o que talvez seja pior, que sim, eu analiso as pessoas e os contextos. E não é quase sempre. É sempre. Os meus contextos, as pessoas com quem convivo, as histórias que me contam. Eu analiso tudo. Talvez por isso que meu grau de frustração seja altíssimo. As vezes, e agora cabe dizer "quase sempre", eu fracasso. Claro, há acertos, caso não os houvesse esse mania não duraria tanto tempo. Mas a verdade é que não da pra prever tudo o tempo todo. Por uma questão óbvia: estamos falando de pessoas! Isso é falar de uma imprevisibilidade bastante elevada. Não há como adivinhar o comportamento das pessoas. Sim, eu sei, há comportamentos repetitivos em situações parecidas, nisso consta-se os acertos. Mas a verdade é que o dia de amanhã nunca se sabe absolutamente nada. Não é, nem de longe, fácil admitir isso. Eu tenho mania! Mania é tipo vício: você sabe que aquilo pode não te trazer benefícios, mas você corre o risco mesmo assim. Mania, gente! Fato. Certa vez eu analisei tanto uma situação que era capaz de prever o lugar, onde as pessoas envolvidas estariam posicionadas e até o que seria dito. Ao final de tanta análise um analista amigo meu - irônico, não? - disse: E daí? O meu comportamento após essa pergunta é totalmente passível de acerto, não? Óbvio que fiz a única coisa que podia. Dei um riso sem graça e falei "pois é, e daí?". E agora eu continuo analisando tudo e todos, só que ao final acrescento: e daí? Eu realmente não sei para que serve tanto esforço. Sim, porque não é fácil. Alto-proteção talvez... Bom, tenho que analisar isso (E daí?). Aaaai, coisa chata isso, gente!

domingo, 28 de outubro de 2012

Tchau.

Não há mais tanta cor aqui.
Desconfio que tenha havido algum dia.
Minto. Houve. Entre uma postagem e outra.
Sim, o tempo em que não escrevia.
As vezes, só as vezes, havia cor.
É difícil escrever quando estar se sentindo alegre.
É preciso tristeza para fazê-lo.
Mas não muita
Tristeza demais embebeda as palavras.

Eu estou indo embora
Esse endereço não é mais meu
Eu, há muito, não mor mais aqui.
O novo é sempre um tanto quanto assustador.
Mudar de endereço também não deixa de ser...
mesmo que ele seja http.


Tchau.


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

...

"... Você Marina, é como uma dessas catástrofes naturais, qualquer uma, devastadora. Toma de assalto tudo, por cima de tudo passa, sem piedade. E ao passar, ainda tem a audácia de me deixar como lembrança teu sorriso, aquele mais doce. Tão doce que causa gastura. É como vicio: sacia-me e depois enche-me de culpa. E quando essa lembrança se torna insuportável, atropelam-me tantas outras. O cheiro da tua pele que mora em mim, que me basta apenas fechar os olhos para sentir. Sentir teu olhar em mim, como faca que atravessa meu cérebro, paralisa. Marina, você é. Não tenta. É. Me assusta. Já eu, eu sou quase. Você me atravessa tantas afirmações que não consigo me prender a nenhuma delas, embora me ache em quase todas. Você me desvenda com uma ousadia que nunca cheguei a imaginar desvendar-me. Quando te dei permissão para tal? Com que direito você me invade? Como você faz isso? Por vezes acho que és uma espécie de bruxa. Fada não. Dizem que fadas são boas. Bruxas me parecem mais observadoras, assim como você, que olha pouco e enxerga muito. Bruxa! Só pode ser. Pode ser não. Você é, porque você não é quase. Você é! É tão humana que me causa inveja. Aprendi a camuflar-me, não sei quando. E você me despiu de todos os meus difarces. E quando me viu, ainda quis ficar. Como, Marina? Como você me conhece e ainda me quer? E todas essas máscaras, que fim dou a elas? De certa forma aprendi a ter afeição por elas. Me protegiam. De que? Não sei, ué. De algo, de alguém. De pessoas parecidas com você, talvez. Sim, parecidas. Porque elas desistiram. E você, bruxa, ainda está aqui. Marina, estou cansado do quase. Me diz como ser."