segunda-feira, 15 de outubro de 2012
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"... Você Marina, é como uma dessas catástrofes naturais, qualquer uma, devastadora. Toma de assalto tudo, por cima de tudo passa, sem piedade. E ao passar, ainda tem a audácia de me deixar como lembrança teu sorriso, aquele mais doce. Tão doce que causa gastura. É como vicio: sacia-me e depois enche-me de culpa. E quando essa lembrança se torna insuportável, atropelam-me tantas outras. O cheiro da tua pele que mora em mim, que me basta apenas fechar os olhos para sentir. Sentir teu olhar em mim, como faca que atravessa meu cérebro, paralisa. Marina, você é. Não tenta. É. Me assusta. Já eu, eu sou quase. Você me atravessa tantas afirmações que não consigo me prender a nenhuma delas, embora me ache em quase todas. Você me desvenda com uma ousadia que nunca cheguei a imaginar desvendar-me. Quando te dei permissão para tal? Com que direito você me invade? Como você faz isso? Por vezes acho que és uma espécie de bruxa. Fada não. Dizem que fadas são boas. Bruxas me parecem mais observadoras, assim como você, que olha pouco e enxerga muito. Bruxa! Só pode ser. Pode ser não. Você é, porque você não é quase. Você é! É tão humana que me causa inveja. Aprendi a camuflar-me, não sei quando. E você me despiu de todos os meus difarces. E quando me viu, ainda quis ficar. Como, Marina? Como você me conhece e ainda me quer? E todas essas máscaras, que fim dou a elas? De certa forma aprendi a ter afeição por elas. Me protegiam. De que? Não sei, ué. De algo, de alguém. De pessoas parecidas com você, talvez. Sim, parecidas. Porque elas desistiram. E você, bruxa, ainda está aqui. Marina, estou cansado do quase. Me diz como ser."
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